Ex-vazio

Hoje, apenas o ar
O invisível, a pulsar
Nada que se possa tocar
Só sentimentos a vazar

Agora, esse maciço vazio
Me tira a cor da vida
Pesa o insuportável
Amarra meu próximo passo

É ao mesmo tempo um sino que toca
Na vila chamada existência
Convocando meus seres à guerra
Contra a inércia e a autodestruição

Amanhã, desejarei novos territórios
Colorirei minha alma de inspirações
Costurarei asas de risos para os pesos
E leve, caminharei para a conquista de minha paz

Claus Jensen
Blumenau/SC | 1/7/2010 - 2h06

Condenados, escravizados e envenenados.

Acredito nas verdades que eu descobri
Desconfio daquelas embaladas a séculos
Superei o medo de duvidar 
Precisei delas para ter minhas certezas

Lamento as almas condenadas ao inferno
Daquela certeza de que foram escravizadas
Pelo poder sobre sua  mente verde e pueril
Mas que vez ou outra já se sentiu atraída pela luz

O mundo vive a exagerada multiplicação das crenças
Atraem almas que apenas trocam suas algemas
E se vendem aos diabos com asas de anjos
Especializados em consultoria no mercado da fé.

Um dia o homem aprenderá que é ovelha 
Separado para a engorda de um "bom pastor"
Que mantras e o teatro de homens com o "Livro" na mão
É a verdadeira maçã que as serpentes nos envenenam.


Claus Jensen 
Blumenau/SC | 23/6/2010 - 0h30

Corpo

Vem ao mundo, da química do amar ou do desejo
Primeiro células tronco à espera de um molde
Moral, intelectual, familiar e de valores.
Como um balão de sangue
Vai se enchendo dos ares da juventude
Rompe o silêncio da obediência maternal
Sai da jaula moral para o aprendizado experimental
Suas curvas começam a atrair
Já percebe alguns caminhos 
de estudo, profissão, cópula matrimonial.
Se divide em mais vidas
Refaz o processo de ingresso da vida animal
Como o vento e chuva nos Canyons
O tempo molda em sulcos cada parte de nosso corpo
Murchamos, como se a beleza estética
Fosse sugada pela da experiência.
Revivemos o amor da filiação
Na beleza das crianças que saíram de nossas.
E haverá o dia, último, em que o presente divino de viver
deixará nosso corpo, na forma que o conhecemos hoje.
Volto à Terra, à água e ao ar.
Cabe a cada crença explicar onde é esse outro lugar
O universo, como cada célula, vive a se reciclar
Por isso, acredito que eu volto para cá .


Claus Jensen 
Blumenau/SC | 23/5/2010 - 11h10 

Círculos branco e preto


Mesas redondas, agregadoras;
uma é branca plástica e a outra é negra de vidro.
Sobre suas superfícies, alimentos, talheres e copos.
Corpos, sons e energia as circundam como elétrons.
A brasa rubra, outrora árvore, queima e tempera a carne,
caçada a pouco em uma prateleira de supermercado.
O nível dos copos de líquido amarelado fermentado, oscila de máximo à mínimo.
É o combustível para risos e as histórias da semana.
Estou em meu clã urbano,
a aldeia de irmãos não sangüíneos, mas de alma.
E nessa festa de um encontro dominical,
tem os xamãs, que usam seus dons mágicos
para transformar carne e sal em iguaria,
batatas, verduras, farinha e pães no pecado da gula.
Crianças, jovens e adultos fecham esse círculo de vida,
que é alvo na pureza da amizade revivida,
e negra, cor do universo, onde nossos planetas se re-encontram.
Somando em preto no branco, nossas belas diferenças.



Blumenau/SC, 16/4/10 - 13h13

Verdades impróprias

Há certas verdades que no calor de amar parecem imutáveis.
São mentiras embebidas de um ácido sobre aquilo que acreditamos.
Em algum momento, quem você ama escorrega nas provas do que jurou.
Amor incondicional? Hmm ... sempre há uma condição.
Esperar e não aparecer? Nosso tempo é respeito.
Sumir e roubar todos os sonhos? É ... percebi que não eram seus.

Mas ficaram as verdades, daquilo que eu senti.
Ficou a saudade dessas verdades que eu não menti.
Quando a verdade se dissolveu no silêncio,
que agora só ecoa o passado, esfriou e virou um cadáver.
Tem corpo, tem forma, mas foi assassinada pela falta do sangue
que um dia nos nutriu de sensações juradas nunca termos sentido antes.

As verdades são impróprias, quando ferem coisas nobres.
Mas, melhor se apropriarem do que é real do que nos iludir com brilhos falsos.
Caminho em frente sem tua mão, que só agora percebi que não segurava firme na minha.
O horizonte já me abriu novos amanheceres, mas sei da sua extensão e dos perigos.
Há uma terra prometida para cada um de nós.
O solo espera, sementes que serão novamente regadas dia a dia, para uma frutífera árvore da vida.

Claus Jensen / Blumenau-SC / 12h15

Projeto

Fiz nosso projeto de vida
para que o fundamento concreto
pudesse ser edificado preparado para os abalos
sísmicos ou sistemáticos.
Incluí janelas em nossas mentes,
portas em nossas diferenças
e detetização para aqueles pequenos cupins diários
jamais roerem invisivelmente aquilo que admiramos um no outro.
Atrás, pensei em uma horta para nos alimentar
com a essência orgânica de nossos sonhos,
regados a cada dia com um amor que não sabíamos poder existir.
No jardim em frente, flores de diversas cores,
que representarão as tantas alegrias de formas diferentes.
Um gramado verdejante, para sustentar pequenos pés
que correrão atrás de bolas, com seus gritos alegres.
Pronto! Agora só falta assinar.
Escreverei Claus
e você completará com seu nome.
Claus Jensen / Blumenau-SC / 15h06

Sentido

Espero esse dia que já está vindo pela primeira vez.

Não é feriado, mas é para comemorar

a noite que irá entrelaçar

com uma agulha que costurou

dois sentidos de vida

Deu lógica àquilo que era apenas um sonho.

É a primeira vez de todas as próximas.

Será tua têz morena?

E são da cor de safiras o que brilha em tua córneas

onde lábios e a moldura negra capilar

completam esse retrato poético?

Haverá a mão que se cruzará sobre a tua

convidando à participar desse momento raro e esperado.

As palavras serão atrevidas, só por existirem.

Porque o que precisamos conversar se expressa em ações.

Faremos uma grande conferência dos sentidos,

um encontro de todos extremos,

dos lábios com seus beijos calados

das mãos exploratórias navegando sobre as ondas de teu corpo.

Abriremos as portas do nosso destino

para o primeiro passo na vida de um e do outro,

para depois fechá-las com um placa pintada no lado de fora:

NOSSO LAR PARA SEMPRE.

Blumenau/SC  - 23h26