Veneno

Veneno doce
Veneno salgado
Veneno amargo
Veneno tem gosto

Gosto não se discute
Gosto se degusta
Gosto, de quem apenas gosta
Goste do meu veneno

Opiniões tem veneno
Opiniões tem gosto
Opiniões insossas não matam
Opiniões boas matam e renascem uma pessoa

Blumenau, 27/04/2013, 15h20 – Claus Jensen

Plantei, reguei, está secando ... e agora?

Plantei uma semente chamada amizade.
Adubei todos os dias do melhor jeito que podia.
Vi uma árvore crescer e pequenas flores surgirem
Acreditei na simbiose, como fator de desenvolvimento
Você dá os nutrientes e recebe outros
Um dia, vistosa, já era percebida pelos outros
Frutos apetitosos encheram nossos galhos
Mas os nutrientes que nos encantavam mudaram de brilho
Alguns dias, te enviava demais e recebia menos
Esse desequilíbrio, mexeu na genética
E o sabor daqueles frutos começaram a ficar aguados
A árvore continua de pé, os galhos mais secos
E essas folhas que caem, serão o adubo do aprendizado?
Ou será que enterram nossas conquistas?



Claus Jensen | Blumenau/SC | 07/03/11 - 12h50

Calmaria superficial

Como definir a tua estética?
Talvez ser alvejado por uma súbita estática?
Um congelar do tempo?
Não pisquei, para otimizar tua imagem em minha retina
Sabia que no outro dia, não te veria.

Teu estado à ser admirado
É uma construção, onde o corpo é detalhe
E assim, de detalhe em detalhe
Você se entalha em "ser" suas qualidades
E eu encalho nesse mar, onde um sonho impossível naufraga.

Não deveríamos aceitar essa palavra
Já que tudo tem uma forma possível de ser
Mas quando se vive em lados opostos
E a aproximação está envolta nas formalidades da amizade
Aceito inquieto, a minha calmaria superficial.

Vou me conformar com os filmes que não assistiremos juntos
Com os dias que não te acordarei sussurando um poema
A música que não escutaremos, cantando de mãos dadas
Tua curiosidade, que terias sobre o livro que estou lendo
E o frio, que não abrigará nosso calor, sob um mesmo cobertor.

Claus Jensen | Blumenau/SC | 24/02/11 - 18h09

Outro corpo e alma

Faltou a frase
Deixei para uma outra fase
Que amadureça
E eu meça
Se há troca
Reciprocidade

O tempo escreverá com fatos
Os atos terão eco
E se na cadeia de montanhas
Haveremos de subir alguma
Em busca de um pico
Hastearemos uma bandeira de conquista

Há um rio, de águas turvas
Eu rio, e você ri, na hipnótica alegria
De como nunca percebemos a mesma margem
A ponte que nos convida a atravessá-la
E o perigo dela ruir não nos assusta
Porque o medo, é menor que a busca

Busco o que não tenho, e acho que você teria
Meu vazio, parece ter sua forma
O encaixe perfeito, nenhum defeito
Aquele ser, que nenhum deus, pôde ser
Só não és minha, porque os deuses
Te escolheram outro corpo e alma.

Claus Jensen | Blumenau/SC | 29/01/11 - 23h50

Tempestades entre nós

Entre os estrondos dos nossos gritos feito trovões

Das palavras pesadas como gotas de uma chuva forte

Dos raios de acusações passadas, que se iluminam nesses segundos

Discussões são como tempestades

E que nosso barco nunca naufrague 

com nossos tesouros vividos dentro

Ou então nos leve à um novo horizonte.

 

Claus Jensen | Blumenau/SC | 11h46

Pegadas

Ei que pegadas são essas?

Você tirou o sapato e os chinelos

Passou e marcou uns passos

Me atravessou e se deixou

Com marcas de seus pés.

Guardo a fôrma que lhe tirei

No desconforto de meu espírito

Ainda preciso daquele passeio

Onde ao final do caminho

Tudo terminava em Roma (ntico)

 

Claus Jensen | Blumenau/SC | 02/01/10-13h50

Texto que pariu

Sinto ele mexendo aqui dentro
Quer sair, parir e chorar para ser ouvido
Vai se alimentando de minhas impressões
Dos amores ressecados pela ilusão
Do desejo de desejar

Embrião de letras
Soletra no espaço em que podes me olhar
Agora que me lês, leitor
Minha mensagem é quente de tão fresca
Estacionada, latejante, pujante a explodir

Não pretendo que me aprecies
Pois me reconheço sem regras e estética
Talho meus textos com um canivete despretencioso
Quero mais que isso, quero estar letra a cara
Você me lendo e eu te olhando fundo nos olhos

Solto o verbo a te encontrar
Dessa nossa fusão nada espero
Senão passear dentro de tua alma
E armar algum pensamento
Te alimentar com algum fragmento
E te deixar esse texto que pariu.

Claus Jensen

Blumenau/SC | 09/10/2010 - 2h45

Ontem a noite

Não sei o que devo sentir
Porque o que sinto, incomoda.
Foi assunto de meus quereres
Na intensidade que já me proibi de ter.

Espero sua vinda sem esperanças de tê-la
Sua passagem apenas fez valer respirar esse dia
Essa sua beleza interna dá brilho à externa
Returbinou aquele desconforto no estômago

Onde será nossa linha divisória,
Entre a carência e uma fagulha de sentimento?
Aliás, me desculpe por tudo isso.
Sei que construo uma bomba dentro de mim.

Se você tivesse previsto que eu moro no meio de um oceano
Sobre uma casa de palafitas cheia de cupins
Não teria entrado nela para desequilibrá-la.
Mas agora, você já é minha tempestade e bonança.

Claus Jensen
Blumenau/SC | 25/7/2010 - 12h


Para se inspirar enquanto lê a poesia: John Illsley - Streets of Heaven


Certezas

Estava certo de algumas coisas,
Que depois me deixaram em dúvida.
E descobri que estava errado no que era certo.
O que sabia era que a dúvida
É a única forma de descobrir certezas.

Certeza é uma palavra mentirosa
Porque nem de que amanhã estaremos aqui
Há absoluta garantia.
É mutante e paralisante
Porque nos rendemos à uma única resposta.

Descobri que não acreditava mais na fé ancestral
Descobri que o amor vive no dia a dia, não no altar
Descobri que o saber não está nos mais cultos
Descobri que para realizar sonhos não posso acreditar só no que vejo
Descobri que os futuros mortos ainda posso sentir vivos agora ao meu lado.

Devo à falta de certeza as novas músicas que curti
Às novas pessoas que amei, mesmo que as perdi
Às risadas e cantorias daquele porre de que tudo esqueci
Ao abraço de meu filho, cujas contas pelo seu sustento não fiz
Tem muita coisa que fiz e tinha certeza que não faria.

Claus Jensen
Blumenau/SC | 20/7/2010 - 20h45

Ex-vazio

Hoje, apenas o ar
O invisível, a pulsar
Nada que se possa tocar
Só sentimentos a vazar

Agora, esse maciço vazio
Me tira a cor da vida
Pesa o insuportável
Amarra meu próximo passo

É ao mesmo tempo um sino que toca
Na vila chamada existência
Convocando meus seres à guerra
Contra a inércia e a autodestruição

Amanhã, desejarei novos territórios
Colorirei minha alma de inspirações
Costurarei asas de risos para os pesos
E leve, caminharei para a conquista de minha paz

Claus Jensen
Blumenau/SC | 1/7/2010 - 2h06

Condenados, escravizados e envenenados.

Acredito nas verdades que eu descobri
Desconfio daquelas embaladas a séculos
Superei o medo de duvidar 
Precisei delas para ter minhas certezas

Lamento as almas condenadas ao inferno
Daquela certeza de que foram escravizadas
Pelo poder sobre sua  mente verde e pueril
Mas que vez ou outra já se sentiu atraída pela luz

O mundo vive a exagerada multiplicação das crenças
Atraem almas que apenas trocam suas algemas
E se vendem aos diabos com asas de anjos
Especializados em consultoria no mercado da fé.

Um dia o homem aprenderá que é ovelha 
Separado para a engorda de um "bom pastor"
Que mantras e o teatro de homens com o "Livro" na mão
É a verdadeira maçã que as serpentes nos envenenam.


Claus Jensen 
Blumenau/SC | 23/6/2010 - 0h30

Corpo

Vem ao mundo, da química do amar ou do desejo
Primeiro células tronco à espera de um molde
Moral, intelectual, familiar e de valores.
Como um balão de sangue
Vai se enchendo dos ares da juventude
Rompe o silêncio da obediência maternal
Sai da jaula moral para o aprendizado experimental
Suas curvas começam a atrair
Já percebe alguns caminhos 
de estudo, profissão, cópula matrimonial.
Se divide em mais vidas
Refaz o processo de ingresso da vida animal
Como o vento e chuva nos Canyons
O tempo molda em sulcos cada parte de nosso corpo
Murchamos, como se a beleza estética
Fosse sugada pela da experiência.
Revivemos o amor da filiação
Na beleza das crianças que saíram de nossas.
E haverá o dia, último, em que o presente divino de viver
deixará nosso corpo, na forma que o conhecemos hoje.
Volto à Terra, à água e ao ar.
Cabe a cada crença explicar onde é esse outro lugar
O universo, como cada célula, vive a se reciclar
Por isso, acredito que eu volto para cá .


Claus Jensen 
Blumenau/SC | 23/5/2010 - 11h10 

Círculos branco e preto


Mesas redondas, agregadoras;
uma é branca plástica e a outra é negra de vidro.
Sobre suas superfícies, alimentos, talheres e copos.
Corpos, sons e energia as circundam como elétrons.
A brasa rubra, outrora árvore, queima e tempera a carne,
caçada a pouco em uma prateleira de supermercado.
O nível dos copos de líquido amarelado fermentado, oscila de máximo à mínimo.
É o combustível para risos e as histórias da semana.
Estou em meu clã urbano,
a aldeia de irmãos não sangüíneos, mas de alma.
E nessa festa de um encontro dominical,
tem os xamãs, que usam seus dons mágicos
para transformar carne e sal em iguaria,
batatas, verduras, farinha e pães no pecado da gula.
Crianças, jovens e adultos fecham esse círculo de vida,
que é alvo na pureza da amizade revivida,
e negra, cor do universo, onde nossos planetas se re-encontram.
Somando em preto no branco, nossas belas diferenças.



Blumenau/SC, 16/4/10 - 13h13

Verdades impróprias

Há certas verdades que no calor de amar parecem imutáveis.
São mentiras embebidas de um ácido sobre aquilo que acreditamos.
Em algum momento, quem você ama escorrega nas provas do que jurou.
Amor incondicional? Hmm ... sempre há uma condição.
Esperar e não aparecer? Nosso tempo é respeito.
Sumir e roubar todos os sonhos? É ... percebi que não eram seus.

Mas ficaram as verdades, daquilo que eu senti.
Ficou a saudade dessas verdades que eu não menti.
Quando a verdade se dissolveu no silêncio,
que agora só ecoa o passado, esfriou e virou um cadáver.
Tem corpo, tem forma, mas foi assassinada pela falta do sangue
que um dia nos nutriu de sensações juradas nunca termos sentido antes.

As verdades são impróprias, quando ferem coisas nobres.
Mas, melhor se apropriarem do que é real do que nos iludir com brilhos falsos.
Caminho em frente sem tua mão, que só agora percebi que não segurava firme na minha.
O horizonte já me abriu novos amanheceres, mas sei da sua extensão e dos perigos.
Há uma terra prometida para cada um de nós.
O solo espera, sementes que serão novamente regadas dia a dia, para uma frutífera árvore da vida.

Claus Jensen / Blumenau-SC / 12h15

Projeto

Fiz nosso projeto de vida
para que o fundamento concreto
pudesse ser edificado preparado para os abalos
sísmicos ou sistemáticos.
Incluí janelas em nossas mentes,
portas em nossas diferenças
e detetização para aqueles pequenos cupins diários
jamais roerem invisivelmente aquilo que admiramos um no outro.
Atrás, pensei em uma horta para nos alimentar
com a essência orgânica de nossos sonhos,
regados a cada dia com um amor que não sabíamos poder existir.
No jardim em frente, flores de diversas cores,
que representarão as tantas alegrias de formas diferentes.
Um gramado verdejante, para sustentar pequenos pés
que correrão atrás de bolas, com seus gritos alegres.
Pronto! Agora só falta assinar.
Escreverei Claus
e você completará com seu nome.
Claus Jensen / Blumenau-SC / 15h06

Sentido

Espero esse dia que já está vindo pela primeira vez.

Não é feriado, mas é para comemorar

a noite que irá entrelaçar

com uma agulha que costurou

dois sentidos de vida

Deu lógica àquilo que era apenas um sonho.

É a primeira vez de todas as próximas.

Será tua têz morena?

E são da cor de safiras o que brilha em tua córneas

onde lábios e a moldura negra capilar

completam esse retrato poético?

Haverá a mão que se cruzará sobre a tua

convidando à participar desse momento raro e esperado.

As palavras serão atrevidas, só por existirem.

Porque o que precisamos conversar se expressa em ações.

Faremos uma grande conferência dos sentidos,

um encontro de todos extremos,

dos lábios com seus beijos calados

das mãos exploratórias navegando sobre as ondas de teu corpo.

Abriremos as portas do nosso destino

para o primeiro passo na vida de um e do outro,

para depois fechá-las com um placa pintada no lado de fora:

NOSSO LAR PARA SEMPRE.

Blumenau/SC  - 23h26

Viciado em você

O que não é crack, mas faz crack dentro de mim?

É o som de cada novo espaço que ocupas,

inflando minha alma agora feliz.

Se ouço uma música, inevitavelmente sintoniza algo ligado a ti

Se leio um livro, lá está você, me acenando nas entrelinhas não escritas

Se olho tv, o casal romântico tem a nossa cara.

Acho que andei tomando um chá alucinógeno com teu nome.

O pior, é que descobri que o antídoto é sentir tua mão

te beijar, abraçá-la como alguém sendo tragado por um furacão.

Daí esqueço de tudo, porque você está comigo.

Minha única lógica é perdê-la em teu corpo.

Claus Jensen - Blumenau/SC - 18h35

Gripe A

Difícil se concentrar.

Só vejo teu rosto, só ouço tua voz, só lembro de teu jeito

Em um infinito carrossel de querer mais.

Amar é uma doença?

Porque dá friozinho na barriga?

Porque ficamos falando as mesmas coisas?

Porque as mãos suam?

Porque dá ansiedade?

E mesmo assim, sonhamos em ser contaminados por ela.

Quando acontece, é viral, que nem gripe A.

Amar é te contaminar com todas essas sensações.

Receber de volta, aquilo que nos faz feliz.

Que por um triz, não perdi.

 

Claus Jensen | Blumenau/SC | 18h07

Horas

Que horas são?

No seu relógio é um tempo

No meu, outro.

Para mim, pode estar próximo

Para você, já passou.

A vida é uma contagem de tempos

Um acúmulo de pontuais, adiantados e atrasados

Mesmo assim, nunca dá tempo de nada.

O que ele não tira da gente

É esse estar bobo de contente

Quando o coração está certo do que sente

Sim, são minutos que se esmigalham em segundos

Mas a vida contou naquilo que aconteceu.

Não olhei o relógio, olhei seus olhos

Não ouvi o ponteiro avançando, apenas nossa conversa

No meu pulso, a palma de sua mão, me puxando

O seu sorriso maroto me faz sentir um garoto

E tudo que começa, já vai tão depressa

Não há tempo que meça

Tuas, minhas, nossas novas horas.

Claus Jensen | Blumenau/SC | 23h05

Você é minha convidada

Quando sair, apague a luz e tranque a porta do tempo.

Deixo lá, guardados com carinho, tudo que foi:

Mágoas, tristezas, remorsos, alegrias e saudades.

Do que me deixou prá baixo mas que me ensinou a subir

Do que me deixou lá encima e sei que não posso ter de novo.

Na casa dessa vida, há muitos quartos

Cada um com sua própria decoração.

Quadros e retratos de tantos e tantos lugares, festas e rostos sorridentes.

Já nas gavetas, de preferência em poucas,

Caixas de lágrimas, potes de mágoas e envelopes de desilusões.

Sei que existem, mas também lembrá-las, não melhorarão o sabor de viver.

Já os bons momentos darão gostinho de quero mais.

Meus planos incluem uma ampliação de espaço

Mais quartos, mais quadros, menos gavetas.

Você é minha convidada para a sala de ESTAR e FICAR.

Claus Jensen | Blumenau/SC